TRL9.tech, startup residente no Parque Tecnológico, inova com subprodutos do bioma brasileiro

Pesquisas da empresa geram impacto ambiental positivo


Substituir o uso do aço por liga de grafeno, material mais leve, resistente e que contribui para a redução do impacto ambiental. Este, entre outros, é um dos produtos desenvolvidos pela TRL9.tech, startup residente do Parque Tecnológico da Bahia que tem inovado mediante pesquisas nos setores da bioeconomia e nanotecnologia. Na concepção dos empreendedores, as patentes desenvolvidas não se limitam à redução dos custos, mas refletem, sobretudo, o que eles entendem como “base ideológica sustentável”. O questionamento que fica é, de onde vem essa concepção?


A startup trabalha com materiais avançados, como a nanocelulose. A partir de subprodutos de biomas brasileiros, a exemplo do sisal e o coco babaçu, o processo ocorre sem derrubar uma única árvore e também reaproveitando resíduos e frutos das plantas. Com seus procedimentos de baixa carga química, cria produtos verdes de alta performance que aliam inovação tecnológica e impacto ambiental positivo. Tudo o que é desenvolvido pela TRL9.tech é necessário alcançar o mais alto nível de maturidade tecnológica. Trata-se do sistema de medição Technology Readiness Levels (TRLs), desenvolvido pela NASA.


O propósito é desenvolver materiais sustentáveis mediante práticas e tecnologias que reduzam o impacto ambiental na produção industrial. Atualmente, todas as patentes registradas pela TRL9.tech possuem o Selo Verde INPI, concedido pelo Programa de Patentes Verdes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, reconhecimento atribuído apenas a tecnologias que promovem efetivamente a economia sustentável e reduzem os danos ao meio ambiente.


“Estar no Parque me ajuda muito, não apenas pela estrutura que oferece, mas também pelas conexões que proporciona”, afirma Rodrigo. A TRL9.tech é residente no Parque há dois anos. O espaço físico não é o único fator que atraiu a startup para o equipamento. “Para estar aqui, é preciso ter uma proposta inovadora e passar por etapas de avaliação. Então, quando a gente submete um projeto para o CNPq ou para a Finep e coloca que está sediado aqui, isso já diz muito sobre nós e transmite confiança no nosso trabalho”, declara o CEO. O Parque Tecnológico da Bahia é um equipamento vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).


A TRL9.tech atua como uma ponte entre as demandas tecnológicas da indústria e as ideias inovadoras que surgem na academia. “A gente trabalha ativamente para transformar as ideias em realidade, fazer com que elas alcancem o nível mais alto de maturidade. Existe a indústria, a academia e nós, que fazemos a ponte entre esses dois pilares da sociedade”, explica Rodrigo Polkowski, CEO e diretor de projetos da startup.


Conforme Polkowski, a empresa investe na conexão entre pesquisa científica oriunda do setor acadêmico e o mercado. “Este é o nosso principal motor da inovação”, acrescenta. Dos sete integrantes da equipe, seis são doutores em suas respectivas áreas. O time é multidisciplinar, com formações em bioeconomia, engenharia química e engenharia de materiais, todos com o mesmo objetivo de transformar conhecimento técnico em produtos aplicáveis.